Enquanto isso na novela Sete Vidas…

 

Não sei quantos de vocês assistem novela, mas a trama das 18h da Globo, “Sete Vidas” vem surpreendendo ao público, seja pela sua fotografia, pelas atuações, e principalmente pela história escrita de forma real pela autora Lícia Manzo.

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Um dos personagens que me chama sempre atenção é a psicóloga Isabel, interpretada pela atriz Mariana Lima, pois ela desde sempre tem sido retratada de forma bastante fiel ao que um psicólogo é na “vida real”.

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No início da trama, víamos Isabel como alguém totalmente controlada, inteligente (representações sociais do psicólogo na nossa sociedade) e que sempre sabia fazer o outro enxergar alguma história por outra perspectiva, o que por muitas vezes é o papel do psicólogo. Coerente, íntegra, sensata, ela sempre me rende os melhores diálogos da novela no sentido de “soco de realidade”.

Mas eis que de algum tempo para cá, foi se revelando uma nova faceta da personagem, ou melhor, sou se relevando a Isabel sem as representação sociais da profissão, e ela se mostrou da mesma forma inteligente, humana, integra, mas humana. Sim, humana! Característica que muitas vezes as pessoas esquecem que os psicólogos também são. Ela tem vivido uma situação em que podemos usar o jargão “casa de ferreiro, espeto de pau”, pois após anos de um casamento sólido, ela se vê atraída por um ex-paciente (que aqui também não podemos esquecer que é igualmente humano), e sente que seu casamento está por um triz. Justo ela, terapeuta de casal!

Em determinado momento, ela está fazendo um dos seus programas de rádio, onde dá conselhos a pessoas que estão com seus casamentos ameaçados, e logo em seguida ela mesma age de forma contrária em seu próprio casamento. Simplesmente excelente essa contradição, para mais uma vez afirmar que psicólogos são seres humanos, cabíveis de erros, equívocos, emoções e dúvidas. A mais nova situação na qual Isabel está, é a sua retomada à terapia, mostrando mais uma vez, que psicólogo também deve fazer terapia, cuidar das suas questões e dos seus questionamentos.

Como já disse Jung: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana“. Nós psicólogos não podemos nos esquecer disso, e nem os pacientes, e pessoas ao nosso redor.

Esse desnudar da personagem também me remeteu ao “desabrochar” da pessoa a medida que vamos conhecendo ela, e as inúmeras vezes que depois de um tempo, acabamos conhecendo uma faceta antes desconhecida, ou mal interpretada. Todas as pessoas na vida são assim, de inicio se mostram pouco, aos poucos, e com o tempo e o adquirir da confiança, elas passam a se mostrar por inteiro. Mais um ponto para a maneira como a Lícia Manzo escreve e descreve seus personagens.

Cada vez mais encantada com o enredo da novela, e curiosa para saber por quais curvas seremos levados junto com essa personagem tão rica.