A depressão materna e a intergeracionalidade familiar

394ef9_70144eb99755442ab69af4e3d3c171f4

Você sabia que a depressão pode ser hereditária? E não estou só falando de genética como já foi mostrado e pesquisado por estudiosos em várias partes no mundo. Aqui falo de um fenômeno muito mais amplo e no âmbito psicológico chamado intergeracionalidade, que vem a ser o ensinamento de pais para filhos, no que diz respeito a ensinar aos seus filhos os valores éticos e culturais, além de regras, os papéis e crenças (BAPTISTA & TEODORO, 2012).

Estudos apontam ainda que com relação à depressão materna  e em relação à intergeracionalidade familiar  existem quatro mecanismos que podem contribuir para a transmissão dos sintomas depressivos de mães para filhos. São eles:

1) FATORES GENÉTICOS – hereditariedade da depressão;
2) MECANISMO NEURORREGULATÓRIO DISFUNCIONAL – desenvolvimento fetal anormal em decorrência da depressão materna durante o período gestacional;
3) INAPROPRIADA TRANSMISSÃO DE SUPORTE FAMILIAR – pouca assistência afetiva, instrumental e informacional por parte da família;
4) CONTEXTO ESTRESSANTE VIVIDO PELOS FILHOS – brigas familiares e discórdia conjugal. (BAPTISTA & TEODORO, 2012, p. 22)

Sendo assim, tanto fatores biológicos, quanto os psico-sociais são responsáveis pela presença da depressão materna em gerações diversas de uma mesma família.

O fenômeno da intergeracionalidade familiar ainda é pouco estudado no Brasil, mas algumas pesquisas já veem sendo realizadas, mesmo que de forma ainda isolada. Vale ressaltar que tal fenômeno deve ser estudado como algo complexo, onde devem constar diversas variáveis.

REFERÊNCIA:
BAPTISTA, M.N & TEODORO, M.L.M. Psicologia de família.: teoria, avaliação e intervenção. Porto Alegre: Artmed, 2012.

Conhecendo a TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL

20110627015805_PETERSON_Terapias_Cognitivo-Comportamentais_Criancas_Adolescentes

Iniciei minha atuação como psicóloga clínica sob a luz da Teoria Sistêmica, e continuo tendo essa linha teórica como minha “linha mãe”, mas como todo psicólogo sabe, não existe uma rigidez de teoria. Você pode ter uma linha teórica base, mas jamais deve abrir mão do amplo conhecimento que todas as teorias trazem ao setting terapêutico. E por isso, senti a necessidade de procurar além da teoria sistêmica, alguma outra ferramenta que me desse um embasamento além de teórico, também prático, e assim pesquisando principalmente sobre técnicas, me deparei com a Psicologia Cognitivo-comportamental, e encontrei nela as ferramentas para agregar ainda mais conhecimento e sustância em meus atendimentos. E por esse motivo que trago aqui hoje um pouco sobre a TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL, ou TCC, em uma breve introdução acerca do tema.

Segundo (BECK, 2013, p. 22), a TERAPIA COGNITIVA-COMPORTAMENTAL é “uma psicoterapia estruturada, de curta duração, voltada para o presente, direcionada para a solução dos problemas atuais e modificação de pensamentos e comportamentos disfuncionais”. O objetivo principal do terapeuta cognitivo-comportamental é ajudar o paciente a modificar o seu pensamento acerca de determinado assunto, além de suas crenças, com o propósito de mudança emocional e comportamental duradoura. De acordo com CADE (2001) apud CORDIOLI (2008), o intuito da TCC é trabalhar também habilidades de relacionamento, ajustamento social, controle do estresse, entre outros para um melhor ajustamento social, e consequentemente controle sobre a sua situação atual perante ao mundo.

O foco da atuação da TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL são os “pensamentos automáticos”, enraizados pelas crenças do paciente, que por vezes podem gerar pensamentos disfuncionais, acabando por influenciar tanto o humor, quanto o próprio pensamento daqueles que o possuem. Para isso, a proposta da TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL é trabalhar em um nível mais profundo de cognição, ou seja, no nível das crenças básicas do paciente sobre si mesmo, o mundo em que vive e as pessoas que fazem parte da sua vida. E é nessa premissa que segundo BECK (2013) são realizadas as técnicas sob a luz da TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL, identificados os pensamentos automáticos, estes ligados às emoções, o terapeuta deve ajudar os pacientes a identificar, saber avaliar e ter subsídios para responder a esses pensamentos de forma mais realista, apresentando melhora mais rapidamente do que algumas outras técnicas. Tais pensamentos automáticos podem ser funcionais ou disfuncionais, sendo estes últimos o alvo da TCC.

Segundo CORDIOLI (2008), na TCC o paciente identifica as suas distorções cognitivas, podendo a partir de então corri-las, apresentando conseqüentemente uma melhora clínica. O ajustamento proposto pela TCC é fundamentado em ajudar ao paciente a agir e pensar de forma mais realista, adaptando-se aos problemas e minimizando os seus sintomas.

Porem se engana quem acredita que para a TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL o passado do paciente não é importante. Para a TCC é de suma importância contextualizar o paciente, levando em conta acontecimentos da sua infância, de seus momentos atuais, de sua constituição familiar, suas emoções, seu crescimento e formação de sua personalidade, para um quadro amplo de sua contingência.

Terapia Cognitivo Comportamental Psicologo Uberlândia-MG

A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL pode ser utilizada em diversos casos tais como: sintomas de esquizofrenia, demência, insônia, tabagismo, conflitos familiares, autismo, fobias, disfunção sexual, bulimia nervosa, dor crônica, vítimas de abuso sexual, promoção de saúde, transtorno bipolar, porém, tem sido amplamente utilizada no tratamento da depressão e da ansiedade, tendo em vista que o seu princípio é o mesmo, mas a sua forma de abordagem sofre algumas modificações para melhor atender a cada caso. Para os casos de depressão, o mais indicado é ajudar o paciente a identificar os seus pensamentos negativos, principalmente acerca deles mesmos, e fazerem uma avaliação mais realista da situação. Já os pacientes que procuram a terapia por problemas de ansiedade, a TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL prioriza a melhor avaliação do risco das situações que estes pacientes temem, e entenderem quais reais recursos possuem para o enfrentamento, e caso seja necessário, melhorar tais recursos.

Ainda segundo BECK (2013, p. 27-31), existem dez princípios básicos da TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL:

Princípio 1: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL está baseada em uma formulação em desenvolvimento contínuo dos problemas dos pacientes e em uma conceituação individual de cada paciente em termos cognitivos.

Princípio 2: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL requer uma aliança terapêutica sólida.

Princípio 3: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL enfatiza a colaboração e a participação ativa.

Princípio 4: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL é orientada para os objetivos e focada nos problemas.

Princípio 5: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL enfatiza inicialmente o presente.

Princípio 6: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL é educativa, tem como objetivo ensinar ao paciente a ser seu próprio terapeuta e enfatiza a prevenção de recaída.

Princípio 7: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL visa ser limitada no tempo.

Princípio 8: As sessões da TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL são estruturadas.

Princípio 9: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL ensina os pacientes a identificar, avaliar e responder aos seus pensamentos e crenças disfuncionais.

Princípio 10: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL usa uma variedade de técnicas para mudar o pensamento, o humor e o comportamento.

Diante desses princípios, pode-se dizer que a TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL visa uma melhora definitiva, rápida e consistente para os problemas disfuncionais, vindos essencialmente dos pensamentos automáticos que desenvolvemos no decorrer da nossa vida.

REFERÊNCIAS:

BECK, J. S. Terapia Cognitivo-comportamental: teoria e prática. 2ª Ed. – Porto Alegre: Artmed, 2013

CORDIOLI, A. V. (organizador). Psicoterapias: abordagens atuais. 3ª Ed. – Porto Alegre: Artmed, 2008.