Você sabe o que é Psicoterapia?

Começo hoje aqui a falar sobre os serviços com os quais eu trabalho na Psicologia.

O primeiro post será sobre o “mais comum”: a Psicoterapia em si. E quando digo que é o mais comum, falo pelo fato de que quando as pessoas pensam em “psicólogo(a)” eles associam logo à clínica e à terapia. Mas será que você sabe realmente como é feito o processo da terapia?

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Falarei aqui, da terapia Cognitivo-comportamental, visto que, é a abordagem que eu trabalho, mas existem muitas outras formas de “fazer psicologia”.

A psicoterapia cognitivo-comportamental tem como “pai” o Aaron Beck, que “concebeu uma psicoterapia estruturada, de curta duração, voltada para o presente, direcionada para solução de problemas atuais e a modificação de pensamentos e comportamentos disfuncionais” (BECK, 2011, p. 22). E essa ideia surgiu para o tratamento da depressão, porém hoje em dia a TCC (como ela é conhecida) é eficaz para praticamente todos os tipos de situações nas quais a pessoa precise de ajuda.

As sessões de TCC são estruturadas, para que sejam ainda mais produtivas. Elas constam de início, meio e fim, onde o cliente sempre dá o seu feedback da sessão, para que o processo possa sempre estar de acordo com as suas necessidades.

A psicoterapia consiste em encontros semanais, com duração média de cinquenta minutos, onde o cliente é personagem ativo. A escuta é feita, mas também fazemos uso de atividades práticas, sejam na sessão, como aquelas que chamamos de “planos de ação”, onde o cliente entre sessões faz algo que esteja em relação ao que vem sendo trabalho em terapia. É uma abordagem didática e ativa, onde faz-se uso de técnicas, leituras e discussões. Nas sessões, o cliente tem o seu espaço neutro, sem julgamentos, ficando livre para trazer o que tem lhe causado algum tipo de prejuízo psicológico. Lembrando sempre do sigilo absoluto por parte do terapeuta.

Alguns ainda apresentam resistência com a TCC, pois dizem que ela é “superficial”, “não trabalha o passado”, “parece escola com deveres de casa”, mas todas essas afirmações não são verdadeiras, pois não há superficialidade na TCC, trabalhamos sim o passado (embora ele não seja nosso foco), e as atividades são essenciais para que o cliente seja empoderado, afinal, a maior proposta da TCC é que o cliente, com o tempo necessário, se torne o seu próprio terapeuta.

Faça terapia. Ela pode ajudar.

Ficou com alguma dúvida sobre o processo? Entre em contato pelo e-mail ticiana27.11@gmail.com

 

Um abraço e até o próximo post.

 

Ticiana Araújo Carnaúba
(psicóloga clínica e orientadora profissional)

Nova identidade visual

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Uma nova identidade. Do jeito que eu queria!

Aqui, no Facebook (Psicóloga Ticiana Araújo Carnaúba) e no Instagram, tudo novo!

Como atuo:

🔹 Psicoterapia
🔹 Orientação Profissional
🔹 Avaliação Psicológica
🔹 Clínica Social
🔹 Palestras

Onde atendo:
📍 Piatã
📍 Paralela (Wall Street Empresarial)

Contato
📲 (71) 9 9280.0204
📨 ticiana27.11@gmail.com

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Você é maduro emocionalmente?

Hoje em dia muito está se falando em maturidade emocional. Mas você sabe realmente o que é ser maduro emocionalmente?

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Quando falamos em maturidade, a questão da idade logo vem à mente, mas em se tratando da maturidade emocional, a idade pouco importa. Para Marli Guári, “a maturidade emocional não surge do nada; exige trabalho, esforço, boa vontade e o desejo de olhar para dentro e se conhecer melhor, com a cabeça e o coração em perfeita sintonia. Amadurecer significa encarar a realidade como ela é, muitas vezes bem mais dolorosa do que gostaríamos“.

Talvez a maior característica de uma pessoa madura emocionalmente seja a sua tolerância a frustrações. Problemas, todo mundo tem, mas como você encara esses problemas é que demonstra o seu grau de maturidade emocional. O médico psicanalista Flávio Gikovate afirma que “pessoas maduras também se aborrecem com as frustrações, mas não “descarregam” sua raiva sobre terceiros que nada têm a ver com o que lhe ocorreu“.

Podemos dizer ainda que a maturidade emocional tem uma relação muito íntima com o que chamamos de inteligência emocional, com responsabilidades para consigo mesmo, e com disciplina e controle de emoções. Porém é preciso salientar que o controle aqui falado nada tem a ver com repressão de sentimentos, e sim com saber o que sente, porque sente e como fazer uma boa análise e uso desse sentimento.

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A Joana Borges, do Centro de Estudos da consciência, lista alguns itens para uma maturidade emocional, tais como:
– Ser responsável por si mesmo e não culpar alguém pelos erros cometidos
– Não usar desculpas para os fracassos que venha a obter
– Agir isento de emoções e preconceitos
– Aceitar o inevitável
– Automotivação e Bom humor
– Autoconhecimento
– Auto-estima
– Ser cooperativo
– Compartilhar
– Lidar bem com as críticas
– Ser independente
– Empático e sensível às necessidades dos outros.

Uma pessoa que não tenha chegado a um estágio de maturidade emocional, pode ser comparada como uma “criança”, pois age em determinados momentos tal como um pequeno fazendo “birra” quando algo não sai exatamente do seu agrado. Pessoas com imaturidade emocional são aquelas que vivem se queixando de tudo e de todos, pelo simples fato de que as coisas não saem “do seu jeito”. No entanto, esse estado é algo mutável, podendo ser superado e modificado. Uma pessoa emocionalmente imatura pode vir a se tornar madura emocionalmente, basta querer mudar e aceitar a mudança.

Diante do exposto, eu questiono: você se considera maduro emocionalmente? O que você tem feito pela sua maturidade emocional?

Se quiser saber mais sobre esse assunto, envie um e-mail para: ticiana27.11@gmail.com e terei o prazer de responder.

Até o próximo texto,

Ticiana Araújo Carnaúba.

Psicólogo x Psiquiatra

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Embora o título seja Psicólogo “versus” psiquiatra, essas profissões se complementam mais do que as pessoas imaginam.

Porém, já percebi na clínica, que algumas pessoas que procuram ajuda terapêutica, muitas vezes ficam na dúvida qual profissional devem buscar para iniciar um tratamento. E por essa razão resolvi escrever de forma clara e objetiva a diferença entre esses dois profissionais.

As diferenças se iniciam na formação: para uma pessoa se formar psiquiatra, ela deve cursar 6 anos de medicina, e depois 2 a 3 anos de residência em psiquiatria. Já o psicólogo deve cursar 5 anos do curso de psicologia, e depois pode optar por fazer um curso de formação ou especialização na abordagem escolhida (existem na psicologia algumas abordagens, originadas de estudos que possuem maneiras de trabalhar diferentes).

O psicólogo trabalha com o foco em ajudar ou auxiliar o paciente em entender o motivo do seu adoecimento mental, enquanto o foco do psiquiatra é identificar a desordem mental e tratá-lo de forma medicamentosa. E talvez essa seja a maior diferença entre os profissionais, enquanto o psiquiatra prescreve medicamentos, o psicólogo não. O psicólogo não trabalha focado no diagnóstico em si, pois o seu maior interesse está nas causas da desordem.

Podemos dizer ainda que o psicólogo trabalha com técnicas psicoterápicas, em encontros semanais, geralmente com duração de 50 minutos (podendo variar de acordo com o local e teoria utilizada), a escuta é uma das ferramentas mais utilizadas por esses profissionais, além de tentarem entender as causas do adoecimento, de forma gradativa e global, visando uma melhor qualidade de vida do paciente. O psiquiatra por sua vez, geralmente tem encontros mensais com seus pacientes para acompanhamento do tratamento, e ajustagem da medicação (caso seja necessário), seu objetivo é a redução dos sintomas e consequente melhora do paciente, e seu tempo de duração, em relação à psicoterapia é geralmente menor.

Um ponto importante, que nem sempre fica claro para os que estão em busca de algum desses profissionais é o fato de que essas profissões se complementam. Em alguns casos, quando a pessoa busca primeiro um psicólogo, o profissional entende que às vezes, o acompanhamento por um psiquiatra e uso de medicação será de suma importância para o bom andamento da terapia, e vice versa, psiquiatras podem perceber que além do tratamento medicamentoso, o paciente necessita de um acompanhamento terapêutico, e nesses casos, ocorrem os encaminhamentos.

E se ainda assim você tiver dúvidas qual profissional procurar, basta pensar que psiquiatra irá tratar de algo mais pontual, mais urgente, e psicólogo irá ajudar a você a se conhecer melhor ou entender porque determinada situação está acontecendo em sua vida. Ambos são profissionais sérios e competentes que podem ajudar. E o que é melhor, a combinação em casos mais graves é o mais assertivo.

Se está com algum problema, alguma dificuldade, busque ajuda.

Até o próximo texto,
Ticiana Araújo Carnaúba.

(Ainda ficou com alguma dúvida sobre esse assunto, ou tem sugestão de tema para as próximas postagens, envie um email para: ticiana27.11@gmail.com)

Você consegue compreender o seu problema?

Muitas vezes na clínica, recebo pacientes que sabem que algo não está “normal” em suas vidas, mas ao mesmo tempo, não conseguem saber o que realmente lhes aflige.

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Na terapia cognitiva comportamental temos o que é chamado de “aspectos da vida” que pode nos ajudar a identificar onde está o real problema de cada um. São 5 aspectos que se interligam: O ambiente, os pensamentos, as reações físicas, os estados de humor e os comportamentos.

Esses 5 aspectos estão interligados e cada um dos cinco componentes afeta e interage diretamente com os demais. Por isso, eles devem ser identificados e analisados como um todo.

Mas, como identificar tais componentes? Algumas perguntas simples podem ajudar:
a) para o Ambiente: tem ocorrido mudanças em minha vida? Posso citar eventos que tenham sido estressantes para mim atualmente? Existem dificuldades que venho enfrentando no meu cotidiano? Existem problemas do passado que ainda me assombram?
b) para as Reações Físicas: quais sintomas físicos me incomodam? Notei alguma mudança física em mim nos últimos tempos?
c) para os Estados de Humor: com apenas uma palavra como posso descrever o meu humor?
d) para os Comportamentos: que comportamentos gostaria de modificar? Estou evitando situações e pessoas? Em quais áreas gostaria de mudar como eu sou?
e) para os Pensamentos: quais os pensamentos mais frequentes que tenho em momentos de humor forte? Quais pensamentos tenho tido em relação a mim mesmo e a outras pessoas? Que imagens e/ ou lembranças me vêm a mente?

                                              (FONTE: A mente vencendo o humor. Artmed, 1999)

Essas são algumas das perguntas que podem ser feitas para que a pessoa tente compreender qual o seu real problema. O plano de ação para as mudanças pode começar por aí, e sempre tendo em mente que qualquer mudança é gradativa e devagar e, por menor que seja, em qualquer uma dessas áreas, acarreta em mudanças nas demais.

Entender o problema já é um grande passo para resolvê-lo!

E se não conseguir sozinho, a terapia pode sempre ajudar!

Até o próximo texto!!

Psicóloga Ticiana Araújo Carnaúba

Você sabe o que são PENSAMENTOS AUTOMÁTICOS?

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Pensamentos disfuncionais. Pensamentos errôneos. Pensamentos automáticos. Todas essas definições são para um tipo de pensamento, que a Teoria Cognitivo Comportamental (TCC) caracteriza como aqueles que vem de imediato, sem “muito pensar” e que por muitas vezes trazem consigo ideias errôneas ou carregadas de conceitos já estabelecidos pelas crenças de quem pensa.

Segundo Aaron Beck, “os pensamentos automáticos são um fluxo de pensamentos que coexistem com um fluxo de pensamentos mais manifesto” (Beck apud Beck, 2013, p. 159). E eles não são específicos para pessoas com problemas psicológicos. Todos nós os temos.

É bastante comum que automaticamente ao enfrentarmos algo novo, um pensamento errôneo e automático de “eu não vou conseguir” venha à nossa mente. A TCC tem como propósito ensinar ao paciente a usar essa emoção negativa como algo que impulsiona a avaliação desses pensamentos e o desenvolvimento de uma resposta avaliativa. As ferramentas da TCC ajudam a  “avaliar seus pensamentos de forma consciente e estruturada, especialmente quando estão perturbados” (BECK, 2013, p. 159)

Mas porque esses pensamentos também são chamados de disfuncionais e errôneos? Porque acabam por distorcer a realidade, provocam angústia, além de interferirem na capacidade do paciente de atingir seus objetivos.

Os pensamentos automáticos estão intimamente ligados com as emoções, pois quando estes pensamentos surgem, trazem consigo emoções, geralmente carregadas de negativismo. Sendo assim, “as emoções que o paciente sente estão conectadas logicamente ao conteúdo dos seus pensamentos automáticos” (BECK, 2013, p. 160).

O grande problema dos pensamentos automáticos é o fato deles serem breves e carregarem “conclusões” impensadas de quem os têm. Eles podem ocorrer de forma verbal, visual, ou ambas. Mas com a intervenção da TCC, a pessoa se torna apta a reconhecer esses pensamentos, analisa-los, identificar quais emoções estão envolvidas e por fim, conseguir racionaliza-los da melhor maneira possível.

Uma característica imprescindível para afastar esses pensamentos errôneos é ser flexível, ter a capacidade de se adaptar às circunstâncias da vida cotidiana. O psicólogo Albert Ellis em seus estudos, concluiu que as pessoas, em geral, tendem a ter pensamentos de forma irracional e derrotista (EDELMAN, 2014).

Segundo Eldman (2014), existem alguns pensamentos e atitudes que as pessoas costumam adotar que fazem com que os pensamentos errôneos se fortaleçam.

São eles, segundo ELDMAN, 2014, p. 35 – 53 :

# Pensamento catastrófico: “tendência comum a exagerar os aspectos e as consequências negativas de acontecimentos passados, presentes ou futuros“;
# Pensamento preto e branco: “tendência de ver tudo de forma polarizada – boa ou ruim – ignorando o campo intermediário“;
# Generalizar de forma excessiva: “tirar conclusões negativas sobre nós mesmos, outras pessoas e situações de vida baseados em limitados indícios“;
# Personalizar: quando “atribuímos caráter pessoal ao que nos acontece, sentimo-nos responsáveis por circunstâncias que não são culpa nossa ou supomos incorretamente que as respostas de outras pessoas são dirigidas a nós“;
# Filtragem: quando se nota “apenas os elementos negativos de uma situação“;
# Tirar conclusões precipitadas
# Rotular, comparar, entre outras. 

Finalizando, a TCC se dispõe a ensinar técnicas para que as pessoas possam adquirir melhores formas de pensamento, identificando os padrões já pré-estabelecidos, que lhes causam ansiedade e emoções angustiantes, podendo a partir de então melhor monitorar tais cognições para que seja possível uma vida mais saudável, em termos psicológicos.

REFERÊNCIAS:

BECK, J. S. Terapia Cognitivo Comportamental: teoria e prática. 2. ed. – Porto Alegre: Artmed, 2013.

ELDMAN, S. Basta pensar diferente: como a ciência pode ajudar você a ver o mundo por novos olhos. 1ª.ed. São Paulo: Editora Fundamento Educacional Ltda., 2014.

Técnica Linha da Vida

A técnica que trago aqui hoje no blog foi retirada do livro que já indiquei “123 Técnicas de Psicoterapia Relacional Sistêmica” da Solange Maria Rosset, e se chama “LINHA DA VIDA“.

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É uma técnica que indico principalmente para ser aplicada com pacientes que têm dificuldade em “se abrir” na terapia, principalmente no que diz respeito aos acontecimentos que lhe marcaram durante a sua vida. Utilizei essa técnica com uma paciente, a qual, a terapia estava estagnada, por falta de relatos por parte dela, e sentia que não estávamos avançando, e após a construção da LINHA DA VIDA, conseguimos reconhecer pontos importantes na sua trajetória, o que fez com que outras demandas fossem surgindo a cada ponto analisado.

Indico também a técnica para o inicio da psicoterapia, dando a oportunidade ao psicólogo/ terapeuta de conhecer a trajetória do seu paciente/ cliente, possibilitando assim uma visão mais ampla das contingências que levaram a pessoa a buscar terapia. Ou seja, sabe por qual foi a trajetória daquela pessoa, e o que marcou o seu caminho.

A técnica consiste em que o paciente/ cliente em uma folha de papel (do tamanho que você escolha) trace uma linha representando a sua vida, e nela marque pontos importantes dessa trajetória, tanto positivos, quanto negativos, onde o início da linha deve representar o nascimento e o final o dia atual.

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O material necessário é bastante simples: papel e lápis. Eu gosto de disponibilizar além destes, lápis coloridos, caso o paciente/cliente queira fazer com cores diferentes o seu registro.

Nessa técnica é importante analisar como a linha é construída, se há quebras, ou espaços com hiatos de período, como o paciente reage a cada item listado. É uma técnica também boa para se utilizar com grupos (fazendo da linha a vida do grupo desde a sua formação), como também com famílias (tendo o início da linha o momento em que o casal se tornou família).

É uma técnica simples, fácil de ser aplicada, e que trás um ganho qualitativo enorme para a terapia.

Conhecendo a TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL

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Iniciei minha atuação como psicóloga clínica sob a luz da Teoria Sistêmica, e continuo tendo essa linha teórica como minha “linha mãe”, mas como todo psicólogo sabe, não existe uma rigidez de teoria. Você pode ter uma linha teórica base, mas jamais deve abrir mão do amplo conhecimento que todas as teorias trazem ao setting terapêutico. E por isso, senti a necessidade de procurar além da teoria sistêmica, alguma outra ferramenta que me desse um embasamento além de teórico, também prático, e assim pesquisando principalmente sobre técnicas, me deparei com a Psicologia Cognitivo-comportamental, e encontrei nela as ferramentas para agregar ainda mais conhecimento e sustância em meus atendimentos. E por esse motivo que trago aqui hoje um pouco sobre a TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL, ou TCC, em uma breve introdução acerca do tema.

Segundo (BECK, 2013, p. 22), a TERAPIA COGNITIVA-COMPORTAMENTAL é “uma psicoterapia estruturada, de curta duração, voltada para o presente, direcionada para a solução dos problemas atuais e modificação de pensamentos e comportamentos disfuncionais”. O objetivo principal do terapeuta cognitivo-comportamental é ajudar o paciente a modificar o seu pensamento acerca de determinado assunto, além de suas crenças, com o propósito de mudança emocional e comportamental duradoura. De acordo com CADE (2001) apud CORDIOLI (2008), o intuito da TCC é trabalhar também habilidades de relacionamento, ajustamento social, controle do estresse, entre outros para um melhor ajustamento social, e consequentemente controle sobre a sua situação atual perante ao mundo.

O foco da atuação da TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL são os “pensamentos automáticos”, enraizados pelas crenças do paciente, que por vezes podem gerar pensamentos disfuncionais, acabando por influenciar tanto o humor, quanto o próprio pensamento daqueles que o possuem. Para isso, a proposta da TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL é trabalhar em um nível mais profundo de cognição, ou seja, no nível das crenças básicas do paciente sobre si mesmo, o mundo em que vive e as pessoas que fazem parte da sua vida. E é nessa premissa que segundo BECK (2013) são realizadas as técnicas sob a luz da TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL, identificados os pensamentos automáticos, estes ligados às emoções, o terapeuta deve ajudar os pacientes a identificar, saber avaliar e ter subsídios para responder a esses pensamentos de forma mais realista, apresentando melhora mais rapidamente do que algumas outras técnicas. Tais pensamentos automáticos podem ser funcionais ou disfuncionais, sendo estes últimos o alvo da TCC.

Segundo CORDIOLI (2008), na TCC o paciente identifica as suas distorções cognitivas, podendo a partir de então corri-las, apresentando conseqüentemente uma melhora clínica. O ajustamento proposto pela TCC é fundamentado em ajudar ao paciente a agir e pensar de forma mais realista, adaptando-se aos problemas e minimizando os seus sintomas.

Porem se engana quem acredita que para a TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL o passado do paciente não é importante. Para a TCC é de suma importância contextualizar o paciente, levando em conta acontecimentos da sua infância, de seus momentos atuais, de sua constituição familiar, suas emoções, seu crescimento e formação de sua personalidade, para um quadro amplo de sua contingência.

Terapia Cognitivo Comportamental Psicologo Uberlândia-MG

A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL pode ser utilizada em diversos casos tais como: sintomas de esquizofrenia, demência, insônia, tabagismo, conflitos familiares, autismo, fobias, disfunção sexual, bulimia nervosa, dor crônica, vítimas de abuso sexual, promoção de saúde, transtorno bipolar, porém, tem sido amplamente utilizada no tratamento da depressão e da ansiedade, tendo em vista que o seu princípio é o mesmo, mas a sua forma de abordagem sofre algumas modificações para melhor atender a cada caso. Para os casos de depressão, o mais indicado é ajudar o paciente a identificar os seus pensamentos negativos, principalmente acerca deles mesmos, e fazerem uma avaliação mais realista da situação. Já os pacientes que procuram a terapia por problemas de ansiedade, a TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL prioriza a melhor avaliação do risco das situações que estes pacientes temem, e entenderem quais reais recursos possuem para o enfrentamento, e caso seja necessário, melhorar tais recursos.

Ainda segundo BECK (2013, p. 27-31), existem dez princípios básicos da TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL:

Princípio 1: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL está baseada em uma formulação em desenvolvimento contínuo dos problemas dos pacientes e em uma conceituação individual de cada paciente em termos cognitivos.

Princípio 2: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL requer uma aliança terapêutica sólida.

Princípio 3: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL enfatiza a colaboração e a participação ativa.

Princípio 4: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL é orientada para os objetivos e focada nos problemas.

Princípio 5: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL enfatiza inicialmente o presente.

Princípio 6: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL é educativa, tem como objetivo ensinar ao paciente a ser seu próprio terapeuta e enfatiza a prevenção de recaída.

Princípio 7: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL visa ser limitada no tempo.

Princípio 8: As sessões da TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL são estruturadas.

Princípio 9: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL ensina os pacientes a identificar, avaliar e responder aos seus pensamentos e crenças disfuncionais.

Princípio 10: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL usa uma variedade de técnicas para mudar o pensamento, o humor e o comportamento.

Diante desses princípios, pode-se dizer que a TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL visa uma melhora definitiva, rápida e consistente para os problemas disfuncionais, vindos essencialmente dos pensamentos automáticos que desenvolvemos no decorrer da nossa vida.

REFERÊNCIAS:

BECK, J. S. Terapia Cognitivo-comportamental: teoria e prática. 2ª Ed. – Porto Alegre: Artmed, 2013

CORDIOLI, A. V. (organizador). Psicoterapias: abordagens atuais. 3ª Ed. – Porto Alegre: Artmed, 2008.

Técnica do Lugar Seguro

Uma das técnicas que gosto de utilizar com meus pacientes é a “Técnica do Lugar Seguro“. Essa técnica embora seja usada e adaptadas por diversas abordagens da psicologia é mais comum e propagada pela hipnoterapia clínica.

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Atuo na perspectiva sistêmica e da terapia cognitivo-comportamental, mas mesmo assim, após estudar algumas técnicas, a técnica do “Lugar Seguro” acabou me servindo muito bem junto a pacientes cuja queixa principal é a ansiedade.

A técnica é bem simples de ser feita, mas alguns cuidados devem ser tomados. Manter o ambiente o mais confortável possível para o paciente, o que pode ser deitado em um divã, sentado em uma cadeira, ou deitado em alguma espécie de colchonete que você tenha em seu espaço terapêutico. Quando aplico o “Lugar Seguro” nos meus pacientes, diminuo a iluminação e procuro deixar a temperatura ambiente fresca, evitando assim calor excessivo, mas também tendo cuidado para que não fique frio o bastante que o distraia do passo a passo da técnica. Além disso, gosto de associar a técnica com música. Geralmente gosto de usar música instrumental clássica, mas também posso perguntar ao paciente se ele possui uma música favorita para utilizarmos. Mas cuidado, ao utilizar a música escolhida pelo paciente, tome cuidado para que ele preste atenção às suas palavras e não à letra da música. Caso isso acontece, interrompa a técnica e sugira mudar a trilha sonora.

Vamos à técnica?

Antes de começar, peça para que seu paciente escreva em um papel três sugestões que ele(a) queira modificar em sua vida (exemplo: comportamentos, pensamentos, hábitos, rotinas etc), tendo cuidado para que as sugestões sejam com base na simplicidade, tendo uma ideia de cada vez, sejam também realistas, para que não haja frustração desnecessária; e além disso, explique ao seu paciente que nunca deve dizer “não”, pois a palavra “não” pode ser reforçadora de negatividade.

Feita a lista, recomendo que diminua a iluminação, regule a temperatura e peça para que o seu paciente encontre uma posição confortável para que possam iniciar a técnica. Com o setting terapêutico pronto, coloque a música escolhida e dê inicio à técnica.

A técnica que pesquisei tem o lugar seguro como um campo, mas eu gosto de construir o lugar seguro com o meu paciente antes da técnica começar. Peço para que ele(a) imagine onde seria esse lugar, campo, praia, casa, algum lugar do passado, algum lugar que conheceu em alguma viagem, peço também que me diga qual horário do dia está no lugar seguro – manhã, tarde, noite; peço que me diga quais as cores predominantes no lugar, quais cheiros possam ser sentidos, como está a temperatura e algum outro detalhe que o paciente queira trazer. Feito isso, e descrito o lugar seguro, pode ser dado início à técnica propriamente dita.

Consignia: “Feche os olhos suavemente…inspire profundamente…e expire…libertando todo o ar…todas as sensações que acumulou durante o seu dia e deseja agora libertar….sinta a sensação de leveza…cada vez que expira. Gostaria que se imaginasse no SEU LUGAR SEGURO…repare na temperatura do ar…nas cores…no ar puro que inspira…sinta os seus passos firmes….sinta vivamente cada sensação que este lugar lhe transmite……sinta os cheiros…as cores…as texturas… os sons…tão agradáveis…imagine a sensação de segurança…de paz. Já nada mais interessa a não ser esta sensação de libertação. Continue a caminhar…a reparar em cada detalhe…em cada folha…árvore…flor…a sua mente está a libertar e a processar o seu dia. Deixe fluir todos os pensamentos…agora já não interessam…agora a única coisa que é importante…é o seu relaxamento…o seu bem-estar…físico e emocional…Continue a caminhar pelo campo e a respirar lentamente…repare como já conseguiu abrandar o ritmo de respiração e do pensamento….Relaxe.

Peça então para o seu paciente repita silenciosamente as sugestões que escreveu e memorizou interiorizando cada uma delas.

Terminada a técnica, dê um tempo para que o paciente volte do “Lugar Seguro“, mantendo a iluminação, temperatura e música. Quando por fim finalizada, pergunte sempre como o paciente se sentiu durante a técnica, e peça para que ele repita em casa os passos desde a consigna, pelo menos uma vez por dia. Caso ache necessária, repita em sessão sempre que quiser.

Dica de livro: “123 Técnicas de Psicoterapia Relacional Sistêmica”

No início da minha experiência em Psicologia Clínica, a minha maior dificuldade era encontrar técnicas boas para utilizar junto aos meus pacientes. Fazia algumas pesquisas, utilizava algumas outras que havia aprendido na faculdade, mas sempre me perguntava: onde poderia encontrar outras técnicas válidas e também adequadas para o meu público?

Atuo em clínica principalmente sob o olhar da Psicologia Sistêmica e da terapia Cognitivo-comportamental, e eis que fui presenteada com o livro “123 Técnicas de Psicoterapia Relacional Sistêmica”, e posso dizer que foi um dos melhores presentes que ganhei na vida profissional.

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O livro da Solange Maria Rosset é recheado de técnicas muito bem elaboradas que podem ser utilizadas tanto com pacientes individuais, como com casais, grupos e famílias, o que me abriu um leque vasto de itens para os diversos públicos que atendo na clínica.

Solange Maria Rosset é psicóloga, com formação em Psicodrama, em Psicologia Clínica Infantil, em Terapia Familiar e em Abordagem Corporal em Terapia (quem saber mais, basta clicar aqui), e teve a ideia de compilar as técnicas que utilizou durante os 30 anos de trabalho clínico e de ensino nesse livro, quase que por acaso. Ela conta que nunca foi muito a favor de livros de técnicas, mas quando resolveu encerrar as suas atividades  como coordenadora de cursos de especialização para novos psicoterapeutas, ela sentiu a necessidade de passar esse conhecimento, tanto para aqueles que tiveram o privilégio de trabalhar com ela, como para aqueles outros que exercem a mesma profissão. Eis que surgiu assim o “123 Técnicas de Psicoterapia Relacional Sistêmica”.

O livro é super didático, contendo uma apresentação escrita pela própria autora, um sumário extremamente fácil de utilizar, uma introdução que mostra ao leitor a indicação das técnicas, quando e por que utilizá-las, quais os seus objetivos e adequações, assim como os cuidados necessários para com elas e em relação ao momento da terapia. O livro trás também um Quadro Resumo das técnicas, onde temos o número, seu nome, o objetivo e a indicação – individual, casal, família ou grupo – o que facilita a leitura e a procura pela demanda do terapeuta. E por fim, a Descrição das Técnicas, onde estão relacionados os itens que compõem a descrição de cada uma. O livro ainda conta com uma bibliografia recomendada e 5 anexos para auxiliar em algumas técnicas.

Recomendo para terapeutas iniciantes, como também para aqueles que já possuem experiência e querem diversificar suas técnicas, como também para aqueles que admiram o trabalho da Rosset.

Um segundo volume intitulado ” Mais Técnicas de Psicoterapia Relacional Sistêmica” foi lançado há pouco tempo e acredito ser outra aquisição recomendada.

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