Você consegue compreender o seu problema?

Muitas vezes na clínica, recebo pacientes que sabem que algo não está “normal” em suas vidas, mas ao mesmo tempo, não conseguem saber o que realmente lhes aflige.

mente

Na terapia cognitiva comportamental temos o que é chamado de “aspectos da vida” que pode nos ajudar a identificar onde está o real problema de cada um. São 5 aspectos que se interligam: O ambiente, os pensamentos, as reações físicas, os estados de humor e os comportamentos.

Esses 5 aspectos estão interligados e cada um dos cinco componentes afeta e interage diretamente com os demais. Por isso, eles devem ser identificados e analisados como um todo.

Mas, como identificar tais componentes? Algumas perguntas simples podem ajudar:
a) para o Ambiente: tem ocorrido mudanças em minha vida? Posso citar eventos que tenham sido estressantes para mim atualmente? Existem dificuldades que venho enfrentando no meu cotidiano? Existem problemas do passado que ainda me assombram?
b) para as Reações Físicas: quais sintomas físicos me incomodam? Notei alguma mudança física em mim nos últimos tempos?
c) para os Estados de Humor: com apenas uma palavra como posso descrever o meu humor?
d) para os Comportamentos: que comportamentos gostaria de modificar? Estou evitando situações e pessoas? Em quais áreas gostaria de mudar como eu sou?
e) para os Pensamentos: quais os pensamentos mais frequentes que tenho em momentos de humor forte? Quais pensamentos tenho tido em relação a mim mesmo e a outras pessoas? Que imagens e/ ou lembranças me vêm a mente?

                                              (FONTE: A mente vencendo o humor. Artmed, 1999)

Essas são algumas das perguntas que podem ser feitas para que a pessoa tente compreender qual o seu real problema. O plano de ação para as mudanças pode começar por aí, e sempre tendo em mente que qualquer mudança é gradativa e devagar e, por menor que seja, em qualquer uma dessas áreas, acarreta em mudanças nas demais.

Entender o problema já é um grande passo para resolvê-lo!

E se não conseguir sozinho, a terapia pode sempre ajudar!

Até o próximo texto!!

Psicóloga Ticiana Araújo Carnaúba

Você sabe o que são PENSAMENTOS AUTOMÁTICOS?

pensamento-automatico

Pensamentos disfuncionais. Pensamentos errôneos. Pensamentos automáticos. Todas essas definições são para um tipo de pensamento, que a Teoria Cognitivo Comportamental (TCC) caracteriza como aqueles que vem de imediato, sem “muito pensar” e que por muitas vezes trazem consigo ideias errôneas ou carregadas de conceitos já estabelecidos pelas crenças de quem pensa.

Segundo Aaron Beck, “os pensamentos automáticos são um fluxo de pensamentos que coexistem com um fluxo de pensamentos mais manifesto” (Beck apud Beck, 2013, p. 159). E eles não são específicos para pessoas com problemas psicológicos. Todos nós os temos.

É bastante comum que automaticamente ao enfrentarmos algo novo, um pensamento errôneo e automático de “eu não vou conseguir” venha à nossa mente. A TCC tem como propósito ensinar ao paciente a usar essa emoção negativa como algo que impulsiona a avaliação desses pensamentos e o desenvolvimento de uma resposta avaliativa. As ferramentas da TCC ajudam a  “avaliar seus pensamentos de forma consciente e estruturada, especialmente quando estão perturbados” (BECK, 2013, p. 159)

Mas porque esses pensamentos também são chamados de disfuncionais e errôneos? Porque acabam por distorcer a realidade, provocam angústia, além de interferirem na capacidade do paciente de atingir seus objetivos.

Os pensamentos automáticos estão intimamente ligados com as emoções, pois quando estes pensamentos surgem, trazem consigo emoções, geralmente carregadas de negativismo. Sendo assim, “as emoções que o paciente sente estão conectadas logicamente ao conteúdo dos seus pensamentos automáticos” (BECK, 2013, p. 160).

O grande problema dos pensamentos automáticos é o fato deles serem breves e carregarem “conclusões” impensadas de quem os têm. Eles podem ocorrer de forma verbal, visual, ou ambas. Mas com a intervenção da TCC, a pessoa se torna apta a reconhecer esses pensamentos, analisa-los, identificar quais emoções estão envolvidas e por fim, conseguir racionaliza-los da melhor maneira possível.

Uma característica imprescindível para afastar esses pensamentos errôneos é ser flexível, ter a capacidade de se adaptar às circunstâncias da vida cotidiana. O psicólogo Albert Ellis em seus estudos, concluiu que as pessoas, em geral, tendem a ter pensamentos de forma irracional e derrotista (EDELMAN, 2014).

Segundo Eldman (2014), existem alguns pensamentos e atitudes que as pessoas costumam adotar que fazem com que os pensamentos errôneos se fortaleçam.

São eles, segundo ELDMAN, 2014, p. 35 – 53 :

# Pensamento catastrófico: “tendência comum a exagerar os aspectos e as consequências negativas de acontecimentos passados, presentes ou futuros“;
# Pensamento preto e branco: “tendência de ver tudo de forma polarizada – boa ou ruim – ignorando o campo intermediário“;
# Generalizar de forma excessiva: “tirar conclusões negativas sobre nós mesmos, outras pessoas e situações de vida baseados em limitados indícios“;
# Personalizar: quando “atribuímos caráter pessoal ao que nos acontece, sentimo-nos responsáveis por circunstâncias que não são culpa nossa ou supomos incorretamente que as respostas de outras pessoas são dirigidas a nós“;
# Filtragem: quando se nota “apenas os elementos negativos de uma situação“;
# Tirar conclusões precipitadas
# Rotular, comparar, entre outras. 

Finalizando, a TCC se dispõe a ensinar técnicas para que as pessoas possam adquirir melhores formas de pensamento, identificando os padrões já pré-estabelecidos, que lhes causam ansiedade e emoções angustiantes, podendo a partir de então melhor monitorar tais cognições para que seja possível uma vida mais saudável, em termos psicológicos.

REFERÊNCIAS:

BECK, J. S. Terapia Cognitivo Comportamental: teoria e prática. 2. ed. – Porto Alegre: Artmed, 2013.

ELDMAN, S. Basta pensar diferente: como a ciência pode ajudar você a ver o mundo por novos olhos. 1ª.ed. São Paulo: Editora Fundamento Educacional Ltda., 2014.

A depressão materna e a intergeracionalidade familiar

394ef9_70144eb99755442ab69af4e3d3c171f4

Você sabia que a depressão pode ser hereditária? E não estou só falando de genética como já foi mostrado e pesquisado por estudiosos em várias partes no mundo. Aqui falo de um fenômeno muito mais amplo e no âmbito psicológico chamado intergeracionalidade, que vem a ser o ensinamento de pais para filhos, no que diz respeito a ensinar aos seus filhos os valores éticos e culturais, além de regras, os papéis e crenças (BAPTISTA & TEODORO, 2012).

Estudos apontam ainda que com relação à depressão materna  e em relação à intergeracionalidade familiar  existem quatro mecanismos que podem contribuir para a transmissão dos sintomas depressivos de mães para filhos. São eles:

1) FATORES GENÉTICOS – hereditariedade da depressão;
2) MECANISMO NEURORREGULATÓRIO DISFUNCIONAL – desenvolvimento fetal anormal em decorrência da depressão materna durante o período gestacional;
3) INAPROPRIADA TRANSMISSÃO DE SUPORTE FAMILIAR – pouca assistência afetiva, instrumental e informacional por parte da família;
4) CONTEXTO ESTRESSANTE VIVIDO PELOS FILHOS – brigas familiares e discórdia conjugal. (BAPTISTA & TEODORO, 2012, p. 22)

Sendo assim, tanto fatores biológicos, quanto os psico-sociais são responsáveis pela presença da depressão materna em gerações diversas de uma mesma família.

O fenômeno da intergeracionalidade familiar ainda é pouco estudado no Brasil, mas algumas pesquisas já veem sendo realizadas, mesmo que de forma ainda isolada. Vale ressaltar que tal fenômeno deve ser estudado como algo complexo, onde devem constar diversas variáveis.

REFERÊNCIA:
BAPTISTA, M.N & TEODORO, M.L.M. Psicologia de família.: teoria, avaliação e intervenção. Porto Alegre: Artmed, 2012.

Técnica Linha da Vida

A técnica que trago aqui hoje no blog foi retirada do livro que já indiquei “123 Técnicas de Psicoterapia Relacional Sistêmica” da Solange Maria Rosset, e se chama “LINHA DA VIDA“.

123

É uma técnica que indico principalmente para ser aplicada com pacientes que têm dificuldade em “se abrir” na terapia, principalmente no que diz respeito aos acontecimentos que lhe marcaram durante a sua vida. Utilizei essa técnica com uma paciente, a qual, a terapia estava estagnada, por falta de relatos por parte dela, e sentia que não estávamos avançando, e após a construção da LINHA DA VIDA, conseguimos reconhecer pontos importantes na sua trajetória, o que fez com que outras demandas fossem surgindo a cada ponto analisado.

Indico também a técnica para o inicio da psicoterapia, dando a oportunidade ao psicólogo/ terapeuta de conhecer a trajetória do seu paciente/ cliente, possibilitando assim uma visão mais ampla das contingências que levaram a pessoa a buscar terapia. Ou seja, sabe por qual foi a trajetória daquela pessoa, e o que marcou o seu caminho.

A técnica consiste em que o paciente/ cliente em uma folha de papel (do tamanho que você escolha) trace uma linha representando a sua vida, e nela marque pontos importantes dessa trajetória, tanto positivos, quanto negativos, onde o início da linha deve representar o nascimento e o final o dia atual.

carreira

O material necessário é bastante simples: papel e lápis. Eu gosto de disponibilizar além destes, lápis coloridos, caso o paciente/cliente queira fazer com cores diferentes o seu registro.

Nessa técnica é importante analisar como a linha é construída, se há quebras, ou espaços com hiatos de período, como o paciente reage a cada item listado. É uma técnica também boa para se utilizar com grupos (fazendo da linha a vida do grupo desde a sua formação), como também com famílias (tendo o início da linha o momento em que o casal se tornou família).

É uma técnica simples, fácil de ser aplicada, e que trás um ganho qualitativo enorme para a terapia.

Conhecendo a TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL

20110627015805_PETERSON_Terapias_Cognitivo-Comportamentais_Criancas_Adolescentes

Iniciei minha atuação como psicóloga clínica sob a luz da Teoria Sistêmica, e continuo tendo essa linha teórica como minha “linha mãe”, mas como todo psicólogo sabe, não existe uma rigidez de teoria. Você pode ter uma linha teórica base, mas jamais deve abrir mão do amplo conhecimento que todas as teorias trazem ao setting terapêutico. E por isso, senti a necessidade de procurar além da teoria sistêmica, alguma outra ferramenta que me desse um embasamento além de teórico, também prático, e assim pesquisando principalmente sobre técnicas, me deparei com a Psicologia Cognitivo-comportamental, e encontrei nela as ferramentas para agregar ainda mais conhecimento e sustância em meus atendimentos. E por esse motivo que trago aqui hoje um pouco sobre a TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL, ou TCC, em uma breve introdução acerca do tema.

Segundo (BECK, 2013, p. 22), a TERAPIA COGNITIVA-COMPORTAMENTAL é “uma psicoterapia estruturada, de curta duração, voltada para o presente, direcionada para a solução dos problemas atuais e modificação de pensamentos e comportamentos disfuncionais”. O objetivo principal do terapeuta cognitivo-comportamental é ajudar o paciente a modificar o seu pensamento acerca de determinado assunto, além de suas crenças, com o propósito de mudança emocional e comportamental duradoura. De acordo com CADE (2001) apud CORDIOLI (2008), o intuito da TCC é trabalhar também habilidades de relacionamento, ajustamento social, controle do estresse, entre outros para um melhor ajustamento social, e consequentemente controle sobre a sua situação atual perante ao mundo.

O foco da atuação da TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL são os “pensamentos automáticos”, enraizados pelas crenças do paciente, que por vezes podem gerar pensamentos disfuncionais, acabando por influenciar tanto o humor, quanto o próprio pensamento daqueles que o possuem. Para isso, a proposta da TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL é trabalhar em um nível mais profundo de cognição, ou seja, no nível das crenças básicas do paciente sobre si mesmo, o mundo em que vive e as pessoas que fazem parte da sua vida. E é nessa premissa que segundo BECK (2013) são realizadas as técnicas sob a luz da TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL, identificados os pensamentos automáticos, estes ligados às emoções, o terapeuta deve ajudar os pacientes a identificar, saber avaliar e ter subsídios para responder a esses pensamentos de forma mais realista, apresentando melhora mais rapidamente do que algumas outras técnicas. Tais pensamentos automáticos podem ser funcionais ou disfuncionais, sendo estes últimos o alvo da TCC.

Segundo CORDIOLI (2008), na TCC o paciente identifica as suas distorções cognitivas, podendo a partir de então corri-las, apresentando conseqüentemente uma melhora clínica. O ajustamento proposto pela TCC é fundamentado em ajudar ao paciente a agir e pensar de forma mais realista, adaptando-se aos problemas e minimizando os seus sintomas.

Porem se engana quem acredita que para a TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL o passado do paciente não é importante. Para a TCC é de suma importância contextualizar o paciente, levando em conta acontecimentos da sua infância, de seus momentos atuais, de sua constituição familiar, suas emoções, seu crescimento e formação de sua personalidade, para um quadro amplo de sua contingência.

Terapia Cognitivo Comportamental Psicologo Uberlândia-MG

A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL pode ser utilizada em diversos casos tais como: sintomas de esquizofrenia, demência, insônia, tabagismo, conflitos familiares, autismo, fobias, disfunção sexual, bulimia nervosa, dor crônica, vítimas de abuso sexual, promoção de saúde, transtorno bipolar, porém, tem sido amplamente utilizada no tratamento da depressão e da ansiedade, tendo em vista que o seu princípio é o mesmo, mas a sua forma de abordagem sofre algumas modificações para melhor atender a cada caso. Para os casos de depressão, o mais indicado é ajudar o paciente a identificar os seus pensamentos negativos, principalmente acerca deles mesmos, e fazerem uma avaliação mais realista da situação. Já os pacientes que procuram a terapia por problemas de ansiedade, a TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL prioriza a melhor avaliação do risco das situações que estes pacientes temem, e entenderem quais reais recursos possuem para o enfrentamento, e caso seja necessário, melhorar tais recursos.

Ainda segundo BECK (2013, p. 27-31), existem dez princípios básicos da TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL:

Princípio 1: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL está baseada em uma formulação em desenvolvimento contínuo dos problemas dos pacientes e em uma conceituação individual de cada paciente em termos cognitivos.

Princípio 2: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL requer uma aliança terapêutica sólida.

Princípio 3: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL enfatiza a colaboração e a participação ativa.

Princípio 4: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL é orientada para os objetivos e focada nos problemas.

Princípio 5: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL enfatiza inicialmente o presente.

Princípio 6: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL é educativa, tem como objetivo ensinar ao paciente a ser seu próprio terapeuta e enfatiza a prevenção de recaída.

Princípio 7: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL visa ser limitada no tempo.

Princípio 8: As sessões da TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL são estruturadas.

Princípio 9: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL ensina os pacientes a identificar, avaliar e responder aos seus pensamentos e crenças disfuncionais.

Princípio 10: A TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL usa uma variedade de técnicas para mudar o pensamento, o humor e o comportamento.

Diante desses princípios, pode-se dizer que a TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL visa uma melhora definitiva, rápida e consistente para os problemas disfuncionais, vindos essencialmente dos pensamentos automáticos que desenvolvemos no decorrer da nossa vida.

REFERÊNCIAS:

BECK, J. S. Terapia Cognitivo-comportamental: teoria e prática. 2ª Ed. – Porto Alegre: Artmed, 2013

CORDIOLI, A. V. (organizador). Psicoterapias: abordagens atuais. 3ª Ed. – Porto Alegre: Artmed, 2008.

Dica de livro: “123 Técnicas de Psicoterapia Relacional Sistêmica”

No início da minha experiência em Psicologia Clínica, a minha maior dificuldade era encontrar técnicas boas para utilizar junto aos meus pacientes. Fazia algumas pesquisas, utilizava algumas outras que havia aprendido na faculdade, mas sempre me perguntava: onde poderia encontrar outras técnicas válidas e também adequadas para o meu público?

Atuo em clínica principalmente sob o olhar da Psicologia Sistêmica e da terapia Cognitivo-comportamental, e eis que fui presenteada com o livro “123 Técnicas de Psicoterapia Relacional Sistêmica”, e posso dizer que foi um dos melhores presentes que ganhei na vida profissional.

123

O livro da Solange Maria Rosset é recheado de técnicas muito bem elaboradas que podem ser utilizadas tanto com pacientes individuais, como com casais, grupos e famílias, o que me abriu um leque vasto de itens para os diversos públicos que atendo na clínica.

Solange Maria Rosset é psicóloga, com formação em Psicodrama, em Psicologia Clínica Infantil, em Terapia Familiar e em Abordagem Corporal em Terapia (quem saber mais, basta clicar aqui), e teve a ideia de compilar as técnicas que utilizou durante os 30 anos de trabalho clínico e de ensino nesse livro, quase que por acaso. Ela conta que nunca foi muito a favor de livros de técnicas, mas quando resolveu encerrar as suas atividades  como coordenadora de cursos de especialização para novos psicoterapeutas, ela sentiu a necessidade de passar esse conhecimento, tanto para aqueles que tiveram o privilégio de trabalhar com ela, como para aqueles outros que exercem a mesma profissão. Eis que surgiu assim o “123 Técnicas de Psicoterapia Relacional Sistêmica”.

O livro é super didático, contendo uma apresentação escrita pela própria autora, um sumário extremamente fácil de utilizar, uma introdução que mostra ao leitor a indicação das técnicas, quando e por que utilizá-las, quais os seus objetivos e adequações, assim como os cuidados necessários para com elas e em relação ao momento da terapia. O livro trás também um Quadro Resumo das técnicas, onde temos o número, seu nome, o objetivo e a indicação – individual, casal, família ou grupo – o que facilita a leitura e a procura pela demanda do terapeuta. E por fim, a Descrição das Técnicas, onde estão relacionados os itens que compõem a descrição de cada uma. O livro ainda conta com uma bibliografia recomendada e 5 anexos para auxiliar em algumas técnicas.

Recomendo para terapeutas iniciantes, como também para aqueles que já possuem experiência e querem diversificar suas técnicas, como também para aqueles que admiram o trabalho da Rosset.

Um segundo volume intitulado ” Mais Técnicas de Psicoterapia Relacional Sistêmica” foi lançado há pouco tempo e acredito ser outra aquisição recomendada.

mais_tecnicas_de_psicoterapia_relacional_sistemica

Psicoterapia: definição, tipos e ganhos

Atualmente muitas pessoas pensam em fazer psicoterapia pelo modismo que se tornou dizer que está em analise, enquanto outras apresentam resistência de procurar ajuda psicológica pela, ainda presente, representação social de que terapia é “coisa de maluco”, ou até mesmo, pensam em procurar um terapeuta para que miraculosamente ele resolva o seu problema como em um passe de mágica. Pensando nessas situações, e sabendo que a psicoterapia é muito mais do que todas essas especulações, resolvi iniciar escrevendo um pouco sobre o que realmente é uma psicoterapia, qual o seu real objetivo e quais os seus possíveis ganhos.

A psicoterapia, no seu início, teve uma conceituação de cura pela fala, mas vale à pena ressaltar que a sua origem vem da medicina antiga, da religião, da cura pela fé, dentre algumas de suas raízes nas civilizações antigas. Com o advento do século XX, o ato de curar pela fala passou a ser utilizado por uma gama maior de profissionais ligados à área da saúde, tais como médicos clínicos, psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais, e esse aumento da atividade fez com que surgissem escolas para fornecer maiores ensinamentos aos interessados na área, cada uma estabelecendo regras para a sua prática. Dentre os diversos modelos alguns conceitos básicos sempre são mantidos, tais como paciente, diagnóstico, doença, etiologia, plano de tratamento, prognóstico, indicações e contra-indicações (Wampold, 2001 apud Cordioli, 2008).

Mas o que vem a ser psicoterapia? Segundo (Strupp, 1978 apud Cordioli, 2008, p. 21):

citação 1

Sendo assim, pode-se dizer também que a psicoterapia é um tratamento interpessoal, com base em princípios psicológicos, onde o profissional treinado adapta as técnicas para cada paciente em questão, com o objetivo de minimizar o transtorno, problema ou queixa daquele que busca ajuda. É uma interação face a face, onde a interação terapeuta x paciente é muito importante, sendo construída por ambos, não se caracterizando como uma ação unilateral, onde a imagem do terapeuta seja daquele que tudo sabe, e sim, daquele que possui algum conhecimento extra para ajudar o seu próximo.

Hoje em dia existem diversas variedades de terapias, mas que segundo WEITEN (2008), podem ser agrupadas em três grandes categorias:  terapias de insight – cujo maior exemplo a ser dado é a Psicanálise e os métodos freudianos, onde o paciente é envolvido em discussões extensas com seu terapeuta, a fim de aumentar o número de insights acerca do seu problema e chegar a possíveis soluções, são as terapias que geralmente duram mais tempo; terapias comportamentais – baseadas nos princípios de aprendizagem, onde a maioria dos seus procedimentos envolve observação e condicionamento, sendo estas baseadas em mudança de pensamento e tidas como psicoterapias breves; e as terapias biomédicas – envolvem intervenções no funcionamento biológico da pessoa, onde geralmente se faz uso de farmacológicos, sendo necessária participação de um psiquiatra, para receitá-los, uma vez que, o psicólogo não possui autonomia para tal.

No Brasil, as regras para quem pode ou não ser considerado como terapeuta são mais rígidas do que, por exemplo, nos Estados Unidos, onde profissionais como enfermeiras psiquiátricas, assistentes sociais, profissionais de aconselhamento e membros do clero com treinamento especial em aconselhamento pastoral também podem exercer a função terapêutica (HUFFMAN, 2003).

Mas quem procura a terapia? Existe uma vasta gama de razões pelas quais uma pessoa busca ajuda na terapia, seja ela ansiedade, depressão, relações interpessoais insatisfatórias, autocontrole ruim, baixa auto-estima, problemas na relação conjugal, assim como, os transtornos do pensamento, das emoções, do comportamento, e também pelos distúrbios biomédicos. Os problemas mais comuns tanto apontados na literatura, quanto na minha vivência de clínica, são a ansiedade excessiva e a depressão, já conhecidas como “os males do século”.

Porém o mais importante seja esclarecer que as pessoas podem buscar a terapia por estarem com problemas mentais moderados ou graves, mas que também existem aqueles que buscam psicoterapia por questões cotidianas, orientação profissional, dentre outros, e, além disso, também se faz importante dizer que, o primeiro passo de buscar a terapia não deve ser visto como uma fraqueza pessoal, e sim, como o reconhecimento de que você está com um problema, e não que a pessoa é o problema, e a partir dessa visão, procurar ajuda especializada para solucionar tal problema.

Em razão disso, HUFFMAN (2003) apresenta na figura abaixo os cinco objetivos da psicoterapia.

WP_20150410_001

A psicoterapia é algo tão vasto, que para cada objetivo, podemos encontrar uma linha que melhor se encaixa em cada um deles, favorecendo assim, uma resolução mais efetiva dos problemas trazidos pelos pacientes. A psicanálise foca em pensamentos inconscientes e emoções, enquanto os humanistas buscam interpor as respostas emocionais negativas de seus pacientes, os cognitivos focam em pensamentos e crenças distorcidos, tendo por fim os comportamentais concentrando-se na mudança de comportamentos maladaptados. Por isso, independente do porque você busque a terapia, sempre terá aquela mais assertiva para o seu caso.

Sendo assim, podemos dizer que as psicoterapias diferem

citação 2

No entanto, vale ressaltar que as psicoterapias têm elementos em comum, mesmo com tamanha diversidade, e eles podem ser entendidos como a confiabilidade no trabalho do terapeuta, o total sigilo por parte do profissional sobre o que é dito em sessão e a busca pela resolução do problema de quem procura a terapia.

Como já vimos, psicoterapia é algo sério, e que deve ser realizada por alguém com treinamento especial para tal. Os principais profissionais que atuam nessa área, aqui no Brasil, são os psicólogos e psiquiatras, porém, atualmente, cursos de especialização estão formando terapeutas habilitados para atender à um público cada dia mais crescente.

Por fim, você pode estar se perguntando: psicoterapias são realmente efetivas? Sim, caso ela seja realizada por profissional especializado e capaz; assim como, o paciente esteja aberto a se ajudar e estar aberto ao trabalho da psicoterapia, sem deixar de lado, a importância da escolha acertada do tipo de psicoterapia adequada para o seu problema.

Fazer psicoterapia por vezes pode parecer doloroso, pois para que algo no seu presente seja modificado, é necessário voltar ao passado, analisar a origem do problema, para somente então pensar em possibilidades diferentes para um melhor futuro. Procure um profissional especializado, caso sinta a necessidade de melhorar algo em sua vida, e lembre-se, procurar ajuda não denota fraqueza e sim auto-conhecimento e vontade de mudar. Mudanças são quase sempre difíceis, mas igualmente necessárias e no final, apresentam-se gratificantes.

 

REFERÊNCIAS:

CORDIOLI, Aristides V. Psicoterapias: abordagens atuais. 3ª Ed. Porto Alegre: Artemed, 2008.

HUFFMAN, Karen. Psicologia. São Paulo: Atlas, 2003.

WEINTEN, Wayne. Introdução à Psicologia: temas e variações. São Paulo: Cengage Learning, 2008.