Psicoterapia: definição, tipos e ganhos

Atualmente muitas pessoas pensam em fazer psicoterapia pelo modismo que se tornou dizer que está em analise, enquanto outras apresentam resistência de procurar ajuda psicológica pela, ainda presente, representação social de que terapia é “coisa de maluco”, ou até mesmo, pensam em procurar um terapeuta para que miraculosamente ele resolva o seu problema como em um passe de mágica. Pensando nessas situações, e sabendo que a psicoterapia é muito mais do que todas essas especulações, resolvi iniciar escrevendo um pouco sobre o que realmente é uma psicoterapia, qual o seu real objetivo e quais os seus possíveis ganhos.

A psicoterapia, no seu início, teve uma conceituação de cura pela fala, mas vale à pena ressaltar que a sua origem vem da medicina antiga, da religião, da cura pela fé, dentre algumas de suas raízes nas civilizações antigas. Com o advento do século XX, o ato de curar pela fala passou a ser utilizado por uma gama maior de profissionais ligados à área da saúde, tais como médicos clínicos, psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais, e esse aumento da atividade fez com que surgissem escolas para fornecer maiores ensinamentos aos interessados na área, cada uma estabelecendo regras para a sua prática. Dentre os diversos modelos alguns conceitos básicos sempre são mantidos, tais como paciente, diagnóstico, doença, etiologia, plano de tratamento, prognóstico, indicações e contra-indicações (Wampold, 2001 apud Cordioli, 2008).

Mas o que vem a ser psicoterapia? Segundo (Strupp, 1978 apud Cordioli, 2008, p. 21):

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Sendo assim, pode-se dizer também que a psicoterapia é um tratamento interpessoal, com base em princípios psicológicos, onde o profissional treinado adapta as técnicas para cada paciente em questão, com o objetivo de minimizar o transtorno, problema ou queixa daquele que busca ajuda. É uma interação face a face, onde a interação terapeuta x paciente é muito importante, sendo construída por ambos, não se caracterizando como uma ação unilateral, onde a imagem do terapeuta seja daquele que tudo sabe, e sim, daquele que possui algum conhecimento extra para ajudar o seu próximo.

Hoje em dia existem diversas variedades de terapias, mas que segundo WEITEN (2008), podem ser agrupadas em três grandes categorias:  terapias de insight – cujo maior exemplo a ser dado é a Psicanálise e os métodos freudianos, onde o paciente é envolvido em discussões extensas com seu terapeuta, a fim de aumentar o número de insights acerca do seu problema e chegar a possíveis soluções, são as terapias que geralmente duram mais tempo; terapias comportamentais – baseadas nos princípios de aprendizagem, onde a maioria dos seus procedimentos envolve observação e condicionamento, sendo estas baseadas em mudança de pensamento e tidas como psicoterapias breves; e as terapias biomédicas – envolvem intervenções no funcionamento biológico da pessoa, onde geralmente se faz uso de farmacológicos, sendo necessária participação de um psiquiatra, para receitá-los, uma vez que, o psicólogo não possui autonomia para tal.

No Brasil, as regras para quem pode ou não ser considerado como terapeuta são mais rígidas do que, por exemplo, nos Estados Unidos, onde profissionais como enfermeiras psiquiátricas, assistentes sociais, profissionais de aconselhamento e membros do clero com treinamento especial em aconselhamento pastoral também podem exercer a função terapêutica (HUFFMAN, 2003).

Mas quem procura a terapia? Existe uma vasta gama de razões pelas quais uma pessoa busca ajuda na terapia, seja ela ansiedade, depressão, relações interpessoais insatisfatórias, autocontrole ruim, baixa auto-estima, problemas na relação conjugal, assim como, os transtornos do pensamento, das emoções, do comportamento, e também pelos distúrbios biomédicos. Os problemas mais comuns tanto apontados na literatura, quanto na minha vivência de clínica, são a ansiedade excessiva e a depressão, já conhecidas como “os males do século”.

Porém o mais importante seja esclarecer que as pessoas podem buscar a terapia por estarem com problemas mentais moderados ou graves, mas que também existem aqueles que buscam psicoterapia por questões cotidianas, orientação profissional, dentre outros, e, além disso, também se faz importante dizer que, o primeiro passo de buscar a terapia não deve ser visto como uma fraqueza pessoal, e sim, como o reconhecimento de que você está com um problema, e não que a pessoa é o problema, e a partir dessa visão, procurar ajuda especializada para solucionar tal problema.

Em razão disso, HUFFMAN (2003) apresenta na figura abaixo os cinco objetivos da psicoterapia.

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A psicoterapia é algo tão vasto, que para cada objetivo, podemos encontrar uma linha que melhor se encaixa em cada um deles, favorecendo assim, uma resolução mais efetiva dos problemas trazidos pelos pacientes. A psicanálise foca em pensamentos inconscientes e emoções, enquanto os humanistas buscam interpor as respostas emocionais negativas de seus pacientes, os cognitivos focam em pensamentos e crenças distorcidos, tendo por fim os comportamentais concentrando-se na mudança de comportamentos maladaptados. Por isso, independente do porque você busque a terapia, sempre terá aquela mais assertiva para o seu caso.

Sendo assim, podemos dizer que as psicoterapias diferem

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No entanto, vale ressaltar que as psicoterapias têm elementos em comum, mesmo com tamanha diversidade, e eles podem ser entendidos como a confiabilidade no trabalho do terapeuta, o total sigilo por parte do profissional sobre o que é dito em sessão e a busca pela resolução do problema de quem procura a terapia.

Como já vimos, psicoterapia é algo sério, e que deve ser realizada por alguém com treinamento especial para tal. Os principais profissionais que atuam nessa área, aqui no Brasil, são os psicólogos e psiquiatras, porém, atualmente, cursos de especialização estão formando terapeutas habilitados para atender à um público cada dia mais crescente.

Por fim, você pode estar se perguntando: psicoterapias são realmente efetivas? Sim, caso ela seja realizada por profissional especializado e capaz; assim como, o paciente esteja aberto a se ajudar e estar aberto ao trabalho da psicoterapia, sem deixar de lado, a importância da escolha acertada do tipo de psicoterapia adequada para o seu problema.

Fazer psicoterapia por vezes pode parecer doloroso, pois para que algo no seu presente seja modificado, é necessário voltar ao passado, analisar a origem do problema, para somente então pensar em possibilidades diferentes para um melhor futuro. Procure um profissional especializado, caso sinta a necessidade de melhorar algo em sua vida, e lembre-se, procurar ajuda não denota fraqueza e sim auto-conhecimento e vontade de mudar. Mudanças são quase sempre difíceis, mas igualmente necessárias e no final, apresentam-se gratificantes.

 

REFERÊNCIAS:

CORDIOLI, Aristides V. Psicoterapias: abordagens atuais. 3ª Ed. Porto Alegre: Artemed, 2008.

HUFFMAN, Karen. Psicologia. São Paulo: Atlas, 2003.

WEINTEN, Wayne. Introdução à Psicologia: temas e variações. São Paulo: Cengage Learning, 2008.

 

Um comentário sobre “Psicoterapia: definição, tipos e ganhos

  1. Muito bom e esclarecedor o texto. Parabéns pela escrita objetiva, clara e explicativa. Gostaria de ver outros assuntos. Sugiro: ansiedade, depressão, fobias, etc. Fico na expectativa. Abs.

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